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A questão da representação é uma questão difícil, uma à qual muitos acadêmicos têm dado atenção nos últimos séculos. Nos dias de hoje, virtualmente todas as democracias contemporâneas são democracias representativas, e não diretas. No entanto, embora o conceito de democracia tenha sido objeto de inúmeras teorias e debates, menos tentativas têm sido feitas para trabalhar analiticamente o conceito de representação. O Conceito de Representação de Hannah Pitkin (1967) abriu a caixa de Pandora, e, depois dessa obra paradigmática, outros teóricos começaram a dar a atenção devida ao conceito de representação no âmbito do paradigma de governação democrática. Os Princípios do Governo Representativo de Bernard Manin (1997), Representação Política de Frank Ankersmit (2002), assim como Democracia Representativa – Princípios e Genealogia de Nadia Urbinati (2006) transformaram as abordagens teóricas e discussões acerca da representação política. No entanto, apesar de recentemente o conceito de representação ter estado no centro de abordagens teóricas e normativas, a relação específica entre representação e democracia permanece por explorar no seu potencial mais amplo. Como diz Castiglione e Pollak, é preciso desvincular a democracia da representação para ganhar perspectivas acerca de o que torna, efetivamente, uma representação democrática (2019). Mas mesmo esta tarefa, de expansão de horizonte conceptual e imaginativo, que nos permite compreender os fenómenos das democracias contemporâneas sob uma outra luz, não é isenta de obstáculos; afinal, também nela se encontra o desdobramento em pelo menos duas perspectivas acerca da representação: a primeira, ‘a guinada representativa’ dentro da democracia democrática, que obriga a repensar a relação entre soberania popular e legitimidade; a segunda, concentrando-se nas operações da representação, isto é, as formas pelas quais representantes e representados se constituem enquanto tal (CASTIGLIONE, POLLAK, 2019: 13). O objetivo deste II Encontro Internacional é explorar as transformações do conceito de representação, num contexto democrático, assim como suas implicações teóricas e práticas.



Alguns tópicos orientadores são:




  • Como a representação foi conceptualizada na história da filosofia política, explorando potenciais relações com outras áreas da filosofia e afins: representação na literatura, estética, ciência, etc.

  • Relação entre democracia e representação – o que torna a representação política democrática?

  • O papel da representação nas diferentes teorias da democracia – elitista, agonística, popular/populista, constitucional, deliberativa, participativa, entre outras.

  • Democracia, populismo e tecnocracia.

  • Representação, democracia e a questão de gênero.

  • Representação, democracia e a questão de raça.



Esperamos, com este encontro, explorar as relações teóricas e práticas entre diferentes modelos de democracia, crentes de que uma nova combinação possa contribuir para uma redefinição do paradigma democrático oferecendo novos impulsos para o futuro. Temos um particular interesse em propostas que visem o contexto brasileiro e/ou comparação entre experiências e transformações democráticas contemporâneas, quer dentro da América do Sul quer com outros continentes.



Palestrantes Confirmados: Prof. Alessandro Ferrara (Universidade de Roma Tor Vergata), Prof. Dario Castiglione (University of Exeter), Prof. Marta Nunes da Costa (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Prof. Ester Heuser (Unioeste), Prof. Helena Esser dos Reis (Universidade Federal de Goiás), Prof. Ricardo Pereira de Melo (UFMS).



Submissão de propostas:



Enviar propostas com até 500 palavras, preparadas para blind review, e 5 palavras-chave. Informar nome, contato, instituição e uma curta biografia (até 3 linhas)



Enviar para: nunesdacosta77@gmail.com



Data limite de envio: 15 de Abril de 2019.

Notificação de submissão: 22 de Abril de 2019.